Nymphomaniac vol.1 & 2

Você já assistiu “Exit through the gift shop“? Não tem muito a ver o filme do artista conhecido como Banksy e os dois Nymphomaniac do Lars Von Trier. Então porque pergunto? Pura retórica. (Aviso que o post contém spoilers

Assisti o Nymphomaniac vol.1 faz (aproximadamente) 2 meses e o vol.2 apenas 1 dia atrás. ( )
Lembro que sai do vol.1 um pouco decepcionado. Porque a decepção? Porque não era um filme a la Von Trier típico? Porque era ruim? Porque o personagem que a escuta era chato? Não… Era porque o barulho (divulgação) foi enorme e gerou uma expectativa tão imensa que o filme não atingiu ela… Isso foi um erro do diretor ou de seu responsável de relações públicas? Dúvido muito. Ah ha! O filme do Banksy!

Acho que foi uma campanha muito bem orquestrada que fala diretamente com o final do vol.2 (falarei um pouco mais adiante dele) – é uma bela de uma  peça moderna (quase). A publicidade do filme foi excelente: Brincou com a imaginação de todos. Excitou, fervilhou, fez um barulho importante. Todos foram ao cinema pensando que iam ver um belo de um pornô (com a permissão da sociedade) estrelando todos os atores abaixo:

nymphomaniac_ver16_xlg

Eu criei o maior pornô na minha cabeça. Ao ver o filme… Bem, a expectativa murchou. Lembro de ter saído do cinema com uma sensação de ter participado de uma pegadinha. Cadê a câmera me gravando?..

Mas, enfim, voltemos ao filme (agora vol.1 e 2 serão um só).

O filme começou ao som de Rammstein. Lembro disso porque conheço um pouco da banda e que no ano passado (ou retrasado) lançaram o clipe “Pussy” (onde eles mesmos faziam sexo no clipe) que era uma crítica ao turismo sexual que vem aumentando no mundo. Essa foi a primeira dica de que eu não estava a ponto de ver um porno e sim levar um tapa na cara (ao menos uma tentativa).

Ela é ajudada por um bom samaritano, onde em seu repouso e inicio de relação, ela começa a contar sua vida para ele… E o filme começa.

Dividido em capítulos pela narradora, começa a história de sua vida, menina que foi descobrindo sua sexualidade precoce com uma curiosidade sexual sem limites e sua libido (sexual), igualmente sem limites. Merda vem, merda vai, sexo aqui, acolá, relações destruídas ali, outra aqui, enfim: um drama Normal de um Homem atual.

Já vou pro final do filme: e Diz exatamente isso.
Ele nos diz que se fosse com um homem, seria normal e seria uma história banal.

Eu queria falar mal do personagem do ouvinte-comentador-punheteiro e da narrativa do filme, mas acho que o Lars Von Trier é um excelente diretor e quis as coisas assim, eu como criador nada mais faço do que respeitar sua escolha. Como criador, sou cineasta e também li “Esculpir no tempo” do Andrei Tarkovski e sei o quanto esse livro pode mexer com alguém. Desde Anticristo Lars Von Trier vêm querendo homenagear e criando imagens bem “cinematográficas” ao estilo do Tarkovski. Mas não do estilo do Tarkovski artista, e sim da descrição no livro. Mais revelação que seu livro são seus filmes. Ali ele ensina cinema. O livro é lindo mas sinto que o Tarkovski escreveu de si para si (Posso estar redondamente errado.) Assim como o Notas do cinematógrafo do Bresson! São nos filmes que seus espíritos comunicam, acima de tudo! Mas enfim…

Sinto que as homenagens do Von Trier ao Tarkovski interferiram no artista de um jeito abismal. A reverência interferindo o poema porque Tem que estar lá.

O que me deixa muito pouco a dizer… Porque senti mais que vi uma peça do Banksy que um filme do Von Trier. Desde a publicidade até o final do filme. Uma bela peça escancarando nosso machismo. Alguém vai dizer que a publicidade é uma obra só com os dois filmes, mas acredito que não. Só se os futuros livros sobre história do cinema acrescentar uma explicação sobre o plano de divulgação do filme. Tanto que quando vi o vol.2 já não estava impregnado e embriagado (e excitado) pela campanha do filme… e foi outra experiência… Menos forte.

Falando sobre o final do filme, quando eles dão de mão beijada a leitura do “Se fosse um homem”… Essa explicação era realmente necessária? O diretor sentiu que sim. Por quê?
As únicas possibilidades que penso são: 1 essa “revelação” tem tanto poder no realizador que ele sentiu a necessidade de falar com seu público assim – ou 2 era totalmente coerente com o personagem ouvinte-comentador e logo, coerente com o resto. Estou mais inclinado com a 2a opção que têm o teor de um ‘gag’.

E a cereja do bolo: ele tenta violar ela. “Mas você transou com um monte”… Ela pega o revólver (do sex symbol machista James Bond) e atira no seu patético confidente-padre e homem (virgem de 40 anos).

Acredito que o filme tem seus pontos altos. A menina jovem descobrindo sua condição, seu sexo, seu ímpeto, sua natureza… Isso é ouro.

Termino aqui, sem mais.

2016-11-10T00:08:05+00:00

One Comment

  1. Victor March 31, 2014 at 4:01 am - Reply

    Da hora. Legal ver a campanha publicitária como parte da obra, acho que é válido sim. Um longo e excitante foreplay pra uma transa… boa, vai.

    O final, quando ela atira nele, é um ruído tão grande, eu achei… Acho que o filme tava concluído ali, antes do finale. Ficou com cara de piadinha, foi meio “wat?”, haha. Não tive vontade de ficar na cadeira do cinema, brisando durante os créditos. A cena me atirou do filme à superfície num piscar de olhos.

    Minha cena favorita da obra toda é a cena com a Uma Thurman, angustiante, dramática e hilária. Acho que a primeira parte tem passagens mais marcantes no geral. A cena delas duas no trem, “caçando”, fica bem forte também. E o prêmio-semiótica vai pro pussy-crying quando o pai dela morre (se bem que essa cena me chocou muito mais no trailer do que no filme…. achei que ia ser uma parada mto mais pesada no filme, equivalente talvez às <<>> do Anticristo).

    Filmin jóia, mas tb achei que eu ia sair pelo menos tão perturbado do cinema quanto quando fui ver o Anticristo, ou Melancolia.

Leave A Comment