House, M.D.


Recentemente comecei a ver House. Não é preciso falar que o seriado é genial, espetacular e inteligente. Porque é, mesmo. Lógico, depois de ver uns 10 capítulos, você percebe já que ele tem uma estrutura muito bem definida… mas acho que é esse tipo de estrutura, nessa nova leva de seriados americanos como House, que prende o espectador… Claro que não são só essas estruturas, mas elas ajudam, e muito. No caso de House: apresenta-se o doente, o caso para nas mãos de House, House e sua equipe tentam achar a causa, a doença piora, acham uma 2ª causa, o paciente melhora e logo piora, perto da morte House acha a solução. Não vi todos os capítulos de House, mas percebo esse fio claramente em 90% dos que assisti, os outros 10% algo muda para não ficar muito repetitivo, e também, fora esse fio principal, temos o 2º fio que é sobre as relações interpessoais entre os personagens, que é o que interliga os capítulos. Enfim, falando assim e expondo esses óbvios fios condutores – precariamente -, House parece uma fórmula mágica das redes de televisão… mas não é. Pelo menos, acho que não é. Creio que o atrativo máximo de House… é o próprio House. Os coadjuvantes são carismáticos, atraentes e além do fato de que assistir House faz nos sentir inteligentes, House é o que nos prende. É um gênio no que faz. Não se importa com o que os outros acham e manda todos, sem gentileza, tomarem no cú. O pior é que não acho que House seja tão mau quanto falam. Acho que pessoas de gênio não se importam com as coisas porque sabem que não faz diferença. Mesmo se importando (no fundo), porque são seres humanos, eles sabem que o fato de se importar com certas coisas não fazem a diferença necessária. São guiadas por seu instinto e talento, nada mais importa, e realmente não deveria importar. House me lembra do personagem principal de “The Fountainhead”, Howard Roark, de Ayn Rand, adaptado para o cinema por King Vidor no seu filme de 1949 sob o mesmo título (que é uma delícia de filme). São dois artistas que fazem o que lhe concernem… E nisso, não consigo ver egoísmo. Não o egoísmo que todos aparentam culpá-los… Egoísmo seria House não ser médico, do mesmo jeito que Roark não mostrar ao público sua arte. Ambos dão a vida pela profissão, acendendo chamas em milhares de corações, e ainda são acusados de egoísmo da pior forma possível? Aqui vai um pedaço de “The Fountainhead”, que é sensacional e uma verdadeira aula.

Mas é isso o que acontece com as grandes mentes… e até nisso, David Shore, criador de House, não deixou de fora. House é sensacional, mesmo com os fatores previsíveis que, com certeza dão segurança a alguns produtores do programa e de qualquer programa, tudo o que quero ver é House e a sua grandeza. Não por adoração, mas por ver gênio trabalhando, que sempre é excitante para qualquer pessoa… e os dribles e golpes no sistema… impagáveis. É inspirador. E porque acho isso novo e merecedor de um post, já que o nome do programa é o próprio personagem principal? Simples: É díficil encontrar uma série que se sustenta principalmente em seu personagem principal. Muitas séries fazem deles uma desculpa. Nem Seinfeld se sustentou com Jerry. Recomendo House para todos. Ainda mais em DVD que vem no formato original.

By | 2016-11-10T00:08:12+00:00 January 9th, 2008|Blog|1 Comment

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One Comment

  1. Victor Meira January 16, 2008 at 7:11 pm - Reply

    Cacete, esse trecho do Fountainhead é animal, velho! Putz… Vô procurar o texto escrito depois…

    E tá dado a dica sobre o seriado. Faltou só dizer que horas eu devo ligar a tv, e em que canal…

    Abraço!

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